25 set 2015

A Roda dos Expostos

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Estamos preparando as aulas que tem foco na História do Brasil quanto ao tratamento dado às nossas crianças e jovens e nos deparamos com cenários e soluções que nos fazem refletir e entender um pouco da realidade atual do país, tão dura e tão polêmica quanto aos jovens abandonados.

Nas primeiras décadas de vida do país, acolhemos crianças abandonadas e delinquentes de Portugal. Aliás, não havia diferenciação, essa ideia de menor infrator e menor abandonado é algo bastante recente.

roda-dos-expostosPara dar ao nosso público Sy Essá – que nada mais é que toda a sociedade civil em toda a sua complexidade – um pouco do que veremos nesta etapa do curso com a Professora e Gestora de Casa lar Berta Maia, apresentamos a vocês a Roda dos Expostos. Esta na foto, que não conseguimos creditar, é uma delas, deve ficar em alguma cidade grande antiga do nosso país, como Salvador, Rio de Janeiro, etc. (quem souber nos envie para creditarmos)

Durante muito tempo neste país este sistema foi utilizado, acreditamos que apenas quando a ideia dos documentos de identidade portáteis pegou é que a prática deve ter perdido força até ser extinta.

Uma forma prática de abandono

Quando alguém tinha uma criança indesejada bastava se dirigir a esta peça que complementava a arquitetura de locais religiosos (normalmente era a Igreja a receber, com seus monastérios, paróquias, casas de assistência, etc.) na calada da noite ou em horas que não houvesse ninguém olhando, colocar a criança na câmara, girar a roda para dentro e fechar a porta. A mesma seria acolhida de forma fraterna ou abusiva, de acordo com as pessoas que fossem responsáveis.

A procura foi crescendo tanto que se passou a aceitar (antes apenas bebês podiam ser “expostos”, em linguajar da época) abandono de crianças de até 7 anos. Quando da Abolição da Escravatura, tivemos mais um boom de abandono, pois os meninos negros não tinham mais valor comercial.

Pensar nesta roda hoje em dia chega a escandalizar-nos. Porém, este não é o objetivo. Povo consciente e atuante é aquele que tem senso histórico aguçado. Temos raízes de abandono, de maus-tratos aos jovens muito profundas no Brasil. Certamente isso teve desdobramentos em seguidas gerações de cidadãos com psique abalada, como podemos ver em todos os jovens abandonados ou vítimas de abusos que acolhemos.

Quanto dessas raízes pode ter influenciado o que vemos hoje? Ainda temos uma verdadeira indústria de abuso e abandono de jovens no Brasil. Como mudar? Como atacar? Com redução de maioridade? Temos que pensar como povo e tomar medidas de acordo com nosso desenvolvimento moral e intelectual. Juntos.