Cardes e bike
4 fev 2016

Entrevista: Ação Videopoesia

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Cardes e bikeTrazemos para vocês a iniciativa de grande parceiro, o artista visual Cardes Amâncio. Ele realizou uma oficina em Itabira-MG com alunas e alunos da Escola Municipal Marina Bragança pelo Projeto Cinema Ensina. A ação se chama Videopoesia e proporciona que as crianças se expressem através do vídeo e da poesia, conjuntamente.

Saiba mais na entrevista abaixo:

Equipe Sy Essá: Se apresente.

Cardes Amâncio: Sou artista visual com documentários, ficções e videopoesias no meu portfólio e pesquisador em cinema, com foco nas imagens produzidas pela multidão, as quais estou chamando de imagem, livre em minha pesquisa de doutorado, realizada no CEFET-MG, na pós-graduação em Estudos de Linguagens, com financiamento da Capes. Também sou o idealizador e coordenador do Cinecipó – Festival de Cinema Socioambiental. Colaboro também com o Cineclube da Biblioteca Comunitária Graça Rios e o Cine Estrela do Espaço Comum Luiz Estrela.

Equipe Sy Essá: Fale sobre a Ação Videopoesia.

Cardes Amâncio: As videopoesias tecem a trama das imagens em movimento, com o som e a linguagem verbal ou escrita. O espectador  lê/vê/escuta a videopoesia ainda que ela não contenha palavra alguma escrita ou falada, uma vez que o cinema, através do som e da imagem, é uma linguagem em si.
É um exercício poético produzir esse tipo de vídeo. Ele tem a vantagem de não necessitar de uma equipe muito grande, muitas videopoesias podem ser feitas por uma pessoa apenas. E comparadas com as ficções ou documentários, podem ter um tempo de produção mais curto, o que torna mais rápido o tráfego dos sentimentos e das visões de mundo do autor.
Resumindo: considero as videopoesias uma das possíveis formas de uma pessoa se comunicar e partilhar com as demais.

Equipe Sy Essá: Como você percebe que alterou a realidade de jovens e crianças nas comunidades onde atuaram?

Cardes Amâncio: A arte tem um potencial muito grande de troca, compartilhamento, de se perceber e ser percebido no mundo. Todos nós precisamos e gostamos de nos comunicar e às crianças e jovens devem ser fornecidas várias experiências no campo da música, cinema, vídeo, fotografia, teatro e outras, para que elas possam descobrir em qual segmento estão mais à vontade para realizar sua produção simbólica.
As alterações da realidade às vezes não são perceptíveis facilmente, mas todos nós nos lembramos de filmes, livros e músicas que nos influenciaram de alguma forma. E se você tem a oportunidade de participar da produção de uma obra de arte durante uma oficina ou curso, ou sozinho mesmo, você participa duplamente da experiência, por ser também autor.

Equipe Sy Essá: Como você vê o apoio e interesse da sociedade ao seu projeto? Esferas governamentais – Estado – Esferas privadas – Mídia – Moradores de locais privilegiados

Cardes Amâncio: O interesse pelo cinema, atividade à qual me dedico é muito grande, sempre recebo convites para exibir trabalhos e realizar oficinas. A última delas foi no Quilombo dos Marques, onde interagi com a comunidade na produção de um longa. Para mim é muito importante ser uma das pontes que viabilizam que as pessoas possam produzir seus próprios filmes.
A autogestão também é importante, uma comunidade pode se organizar, por exemplo, para criar seu próprio cineclube e através de bons filmes, discutir questões contemporâneas relevantes. Trabalhei na elaboração de um guia para instigar a criação de cineclubes, que muitas vezes são o primeiro passo de futuro cineastas!

Equipe Sy Essá: Envie um recado aos Multiplicadores Sociais.

Cardes Amâncio: Muito importante o trabalho dos Multiplicadores Sociais! Precisamos nos dedicar com carinho às crianças e jovens, porque tem muito adulto já torto por aí! Desejo uma bela caminhada para todas e todos!

Confira alguns dos vídeos produzidos: